Banheiro gay... ter ou não ter?
08/08/2008
Outro dia li uma notícia que dizia que uma escola tailandesa construiu sanitários especialmente para seus alunos homossexuais.
O diretor explicava que o numero de adolescentes homossexuais e/ou travestis é bastante significativo naquela escola, e que estas crianças sentiam-se incomodadas quando usavam o banheiro masculino, sendo motivo de piadas, risadas, etc.
Ele entendeu que resolvendo esses desconforto geral poderia, inclusive, refletir no aproveitamento dos estudos.
Pessoas o questionaram se ele não estaria exagerando nesse tipo de atitude, já que se trata de adolescentes que ainda não têm clareza para decidir sua preferência sexual e isso poderia até interferir nessa escolha.
O diretor respondeu que naquele país pode-se notar facilmente a grande população de travestis existente. Disse ainda que ao longo dos seus 35 anos de experiência em ensino, já havia encontrado inúmeros casos de adolescentes que se diziam gays e que nenhum deles mudou de idéia quando se tornaram adultos.
É interessante a gente analisar como são diferentes as realidades para as pessoas nos diversos cantos do mundo.
Em um primeiro momento, eu me entusiasmei muito com a notícia e achei sensacional e corajosa a atitude do diretor!
Logicamente vocês já devem ter passado por isso alguma vez, mas eu fiquei pensando aqui com meus botões: até que ponto o “caso” do banheiro é tão importante para vocês?
A nossa realidade é tão mais preocupante e triste que a notícia passou a parecer irônica!
Será que os nossos meninos de 12-13 anos que estão se descobrindo gays, enfrentam mais problemas dentro de casa com seus pais ou no banheiro da escola?
A gente sabe que é desconfortável receber chacotas de colegas, porém as angustias de um jovem que não se aceita os conflitos de sua mente para entender que ele é diferente das outras pessoas (ditas normais) não se resolvem apenas acionando o botão da descarga.
Sinceramente, na minha maneira de ver, criar um local diferenciado para certo grupo de pessoas, é mais uma maneira de descriminá-las.
Sim, a intenção do diretor foi maravilhosa, mas para nossa realidade, não sei se serviria pra muita coisa não...
Eu acredito e aposto mais na boa educação, na conscientização das crianças de que seus colegas são pessoas iguaizinhas a eles independentemente da maneira como se vestem ou se portam, portando devendo usar sem problema algum o mesmo sanitário.
O preconceito deve ser podado exatamente nessa fase, na escola quando pequenos, para crescerem convivendo com naturalidade ao lado de amigos gays.
Sobretudo amigos, eu creio que o maior incômodo de qualquer jovem (e por que não, de adultos), está no seu conflito interior, e não em fatores externos, mesmos que rotulados de nomes feios como o “preconceito”.
| Escrito por Mel às 17h04 | ![]() |
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