|  Auto-conhecimento e Comportamento - Ajuda aos jovens gays perante a família / Blog da Mel / Faça a sua parte.

BLOGS: Blog da Mel

Faça a sua parte.

12/11/2007

 

Quando você começou a perceber que sentia um friozinho na barriga por pessoas do mesmo sexo, eu garanto que ficou em dúvida se aquilo era normal ou não. Via o comportamento dos amigos diferente do seu e queria saber se aquilo estava certo, se você tinha algum tipo de doença, ou se estava pirando. Com o passar do tempo, você procurou saber de alguma maneira se existiam mais seres no planeta iguais a você, e claro que encontrou o título para colocar em sua “plaquinha de identificação” de homossexual. Pois bem, daí você já sabia o que era, porém a maioria das pessoas ao seu redor era diferente, eram identificadas como heterossexuais. Pronto, só isso basta pra criar um monte de minhocas na cabeça.... você é diferente da maioria das pessoas, o que causa uma baita insegurança e desconforto, pois você, sendo diferente vai ficar em evidência! Depois você ainda descobre que os que têm a ‘plaquinha’ de homossexuais, não só são diferentes, como são mal vistos, dizem que são uma aberração da natureza, todo mundo faz piadinhas, são ridicularizados, expulsos de casa pelos pais, vivem num mundo promíscuo e cheio de doenças, ninguém é fiel, não arranjam emprego nem tem amor. E ainda dizem que você OPTOU por isso!

Nessa situação é claro que ninguém é besta de sair gritando pro mundo que você é um deles. Você se sente como alguém que vai confessar um crime e obviamente vai ser linchado, então se esconde, se fecha e curte sua dor de saber que está nessa vida só para sofrer, e jamais vai abrir o bico pra ninguém, pelo menos vai tentar fingir que está tudo bem e continuar vivendo como puder.

O tempo passa, e você logicamente tem sentimentos, conhece alguém que começa gostar tanto física como emocionalmente, e a luta interna reaparece, te corroendo entre o desejo e a razão. Você sabe o que quer, mas tem medo da rejeição dos outros, até da sua.

Começa a imaginar então como seria a reação de seu pai e sua mãe, seus familiares mais próximos. Claro que seria ótimo contar com o apoio e compreensão deles, afinal eles sempre te orientaram como fazer todas as coisas, desde como comer ou fazer pipi sozinho! Com certeza eles teriam uma forma mágica e te ensinariam como enfrentar essa situação, além do que te dariam carinho, pois você está desgastado pelo sofrimento que vem remoendo ha. anos.  Nessa altura do campeonato, você já leu um bocado de informações e sabe que não é doença, já se instruiu sobre várias coisas e corrigiu alguns conceitos errados que fez de si mesmo, só falta criar coragem e contar em casa.

Para alguns amigos você já contou e achou até fácil falar, não teve muitos problemas com a maioria, os que não aceitaram você descartou por que percebeu que não eram amigos de verdade.

Putz, mas como é duro enfrentar os pais! Ainda mais que você já ouviu comentários aqui e ali que eles tem preconceitos daquilo que você é. Vai ser uma decepção para seu pai, um hétero medonho, e sua mãe então, vai ter um enfarto, não vai mais sair de casa com vergonha das vizinhas. Quando eles assistem alguma coisa na TV sobre gays, falam que é uma vergonha, coisa de cara safado, falta de surra quando era criança, que a mãe deixava o menino brincar de bonecas e agora olha só no que deu!

Quando sabem de algum caso na família de alguém, logo dão a desculpa: também pudera filho de pais separados, não teve uma boa educação e nem referências masculinas em casa, acabou aprendendo a ser mulherzinha...

Daí você começa a sair escondido, pode até ter um namoradinho, mas sempre com aquele maldito medo de ser visto por alguém ou seus pais descobrirem. Como seria bom poder agir naturalmente como os outros!

De todos os meios você recebe bombardeios de preconceito, os religiosos então nem se fale. Você não será aceito por nenhuma igreja, dizem que Deus não criou criaturas assim, você é que escolheu sentir algo errado, vergonhoso, fora das leis da Bíblia.

Façamos uma reflexão juntos: Você se sente um ser de outro planeta, apaixona-se por alguém que jamais lhe dará a menor chance, porque é do mesmo sexo, a sociedade te exclui até dos direitos humanos mais básicos, sua Igreja te condena, seus amigos afastam-se de você, seus pais, que por tese deveriam te amar, te abandonam... o que você vai fazer da sua vida?

Cara, você aparentemente ta ferrado mesmo! E.... eu também!!!

 

Por quê? Porque eu também sou parte dessa sociedade que colocou esse monte de porcaria na sua cabeça, e cabe a mim agora, tentar desfazer essa c..gada.

 

Eu ouvi uma “lição” nesse final de semana, cantada por um coral de 200 vozes de crianças de 7 a 9 anos (um deles meu filhinho) onde dizia algo assim:

 

 

Faça parte, faça a sua parte...

Não é colocando a mão no bolso, é colocando a mão na massa que se consegue

Sempre pode ter alguém pertinho precisando de você

Então vem, Faça a sua parte...

 

 

De alguma maneira faço parte da sua vida, ainda que sejam alguns minutos quando você passa por aqui para ler. Quero te ajudar encontrar respostas e caminhos para fazer sua vida valer a pena, e um deles, o maior em minha opinião, é o amor! Comece colocando essa palavrinha em sua cabeça e em suas atitudes. Tenha calma e paciência, você demorou nove meses para nascer e até agora não se conhece direito!

 

Eu posso dizer com certa experiência que a VIDA é feita de momentos que você cria, mesmo que inconscientemente, e se hoje ela lhe parece não muito boa, com toda certeza você pode mudar.

Depende de você....faça a sua parte! Ame-se acima de tudo!

 

 

Um beijo a todos.

 

 

 

 

 


Escrito por Mel às 15h56 Comentários Envie

O outro lado do armário.

07/11/2007

 

 

Aproveitando o fato do lançamento da 2ª edição do livro “O Armário” do nosso querido “Fabrício Viana”, eu refletia um pouco sobre esse tal de armário. Hoje em dia eles estão mais frágeis, nem são de madeira, qualquer empurrãozinho já abrem as portas, e o mais difícil é mantê-las fechadas! 

Ainda não li o livro (estou esperando ganhar um de presente autografado, ehehhe) mas imagino que o assunto já tenha sido brilhantemente explorado , haja vista o sucesso da primeira edição.

O meu real propósito de estar aqui nesse site, é exatamente de dar a visão de quem está do outro lado do armário, nem dentro nem fora., apenas do outro lado. Eu sinto que posso ajudar um pouco mais, pessoas que ainda não conseguiram passar essa barreira importante que é falar sobre sua homossexualidade dentro da família.

A questão , sair ou não do anonimato, ou do armário como preferir, é uma opção de cada um, no momento de suas vidas que achar mais oportuno, que estiver preparado para isso. Tenho visto muita gente que optou definitivamente por não se expor no trabalho, entre amigos, e alegam que preferem ter seus amores escondidos a enfrentar a barra do preconceito.O mais importante é você respeitar  seu ritmo e saber identificar o que quer para a sua vida! Não existe tempo marcado para isso, e só você pode determinar quando será a hora certa.

 

Como mãe de homossexual  posso dizer que não é nada fácil também estar do lado de cá dessa história, é perfeitamente normal esperar que a maioria dos pais reajam de maneira estranha, pois ao longo dos anos foi criada uma muralha de preconceitos entre os mundos hétero e homossexuais. Existe também toda uma gama de expectativas que colocamos sim, nas costas dos filhos e que nessa hora, percebemos não serão realizadas.

Não se esqueçam de que vocês despencam sobre nós, emoções há muito tempo entulhadas , elas chegam muitas vezes carregadas de falta de entendimento e aceitação até de si mesmos! Imaginem para quem está tomando contato com o assunto pela primeira vez, e mais....envolvendo quem nos é mais importante: um filho (a).

Paciência, calma, e buscar conhecimento são as palavra certas.

Diversas reações podem acontecer, porém não aceitem nenhuma forma de violência, isso seria desrespeitar o ser humano.

 

Existem os que negam para si mesmos; oh não... isso não é verdade, meu filho(a) esta enganado, sim ele foi influenciado por más amizades...só pode ser.

Existem os que se fecham, apagam da memória aquele dia fatídico, e continuam a vida normalmente, riscam do calendário aquela data.... decretam feriado emocional!

Existem os que reagem de maneira agressiva, sentindo-se feridos, acham que não merecem aquele “castigo” e devolvem a sua dor na mesma proporção, expulsando seus filhos de casa. (como se pudessem expulsá-los de suas vidas).

Existem os egoístas, que dizem: -faça o que quiser da sua vida, não me envolvendo nela, para que eu não passe vergonha....

Sim existem os que recebem com amor, abraçam emocionados, embora assustados e boquiabertos.

Existem também os exagerados, se dizem modernos e acham um auê, afinal está na moda ser gay ..."Meu filho logo logo, consegue um papel na novela das oito".

Ah... também tem os que aceitam, acham que a ciência já explica tudo isso, é muito normal...é ridículo nos dias de hoje ter preconceito....mas, filhão...não dá bandeira perto dos meus amigos do futebol, tá?

Ou ainda: eu aceito desde que você não seja afeminado. Você pode ser gay, eu até entendo seu gosto, mas se eu te pegar com as roupas da sua mãe, eu te mato.

 

Bem, cada um sabe a mãe e o pai que tem guardado em casa!

Este casalzinho de Pit Bull (não querendo ofender a classe canina) que vocês tem em casa, late , late, faz cara feia, assusta... mas por pior que sejam ....ELES TE AMAM.

 

Como mãe eu peço aos pais que se informem, através de leituras, filmes, de sites na Internet , pergunte ao seu próprio filho (a) sobre tudo que deseja saber. Conheça esse novo universo e principalmente faça uma reflexão: O que realmente incomoda nessa descoberta? Que sentimentos vêm à tona? Recordem todos os momentos desde que aquela criança nasceu, seus anos de escola, adolescência, enfim descubram realmente quem é seu filho. Enumere suas qualidades e seus defeitos. Se não o conhece direito, não culpe a intransigência do adolescente, você é que não criou vínculos com ele desde a infância. Sejam sinceros, se antes vocês amavam aquela criatura, o que mudou agora que sabe que ele gosta de alguém do mesmo sexo? Onde está o  seu amor? Que amor é esse?

O que está incomodando mais? Os vizinhos vão saber? São os parentes? São os seus sonhos que foram por água abaixo? Analise friamente quem é você perante essa situação, e não apenas quem é o outro, e saiba que você gostando ou não, o outro tem desejos próprios, que você pode ajudar, aconselhar, mas não pode modificar o rumo daquela vida.

Cuide para que aquele filho ou filha queira estar sempre perto de você e de pessoas que o respeitem, o estimem e o ajudem evoluir. Já basta o resto do mundo para privá-lo de carinho!

 

 

Beijos.

 

 

 

 

 




 

 

 


Escrito por Mel às 14h30 Comentários Envie


 m O O n 

XML/RSS Feed
Busca

free counters
InfOmIx+