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27/03/2007

continuando....leia desde o início  de "Drag Quenn"

 

Mel : Uma curiosidade minha. Você é obrigado a sair com os caras da boate? Qualquer um ?

Lorelay: não, muito pelo contrario,acho que sou diferente, rsrs 

porque todas as drags se jogam nos caras gostosos e acho isso super compreensivo e legal , mas eu já não. A não ser que eu ache o cara muito fofo, como em qualquer lugar, e não por estar lá.

Um detalhe: Quando você se monta vc passa a ser muito desejado, muito meesmo, o povo todo te quer, é uma delicia.

 

Mel: quanto vocês ganham me media, por show?

Lorelay: Aqui numa cidade pequena, eu ganho em media R$80,00, mas se for um show para uma festa, uma contratação particular, dá pra ganhar mais.

Mel: E pra encerrar, já que esse foi o meu ultimo tema aqui no Mix, me fale sobre a violência, o uso de drogas, etc.

Lorelay: Na noite pode acontecer de tudo,como em qualquer lugar.

Eu, particularmente não uso drogas, nem fumo. O que mais consumo é bebida mesmo, pra ficar alegrinho.  O que mais rola é cocaína mesmo, é muuuito pó. Quanto à violência, aqui ate agora está tudo tranqüilo, basta não mexer com ninguém que ta tudo certo.

 

Eu quero finalizar sem muitos comentários, que cada um possa fazer isso por si, apenas agradecendo à Lorelay, por me mostrar que as Drags não mordem e  que nada existe de diferente entre ela e o Fabrício, além da “maquiagem”.

Ele é gay igualzinho você, estudante universitário, brasileiro, que trabalha, que sofre preconceitos, namora, chora, ri , vai às baladas e às paradas, se revolta com injustiças...tudo igual .

O Fabrício se maqueia, e por algumas horas, vive num mundo de fantasias... A Lorelay, tira a maquiagem , e vive o resto dos dias a realidade amarga.. Uma única coisa os dois fazem o tempo todo , juntos: tentar ser feliz! 

 

E você? É feliz?

 

 

 

 


Escrito por Mel às 14h08 Comentários Envie

Mel:Posso colocar uma foto sua?

Lorelay: Pode sim!

 

 

Mel: O que você aprendeu de positivo com essa sua experiência?

Provou a si mesmo que  PODE ser o que bem quiser?

Lorelay: hahaha aprendi coisas ótimas, não só sobre o ser humano, mas também sobre mim, e muito pelo contrário, eu já acho que não se pode ser o que quiser... Conheci melhor meus limites e potenciais, sem contar que aprendi a me relacionar com o publico, me tornei menos tímido.

Eu posso te dizer Mel, que adorei o meu trabalho. Me montar e fazer um bom show para as pessoas é muito gratificante. Ganhei até alguns concursos já!.

 

Mel:  E que você  viu de ruim nela?

Lorelay: os que você julga serem seus amigos são os primeiros que vão querer te derrubar, é triste mas essa é a verdade da noite.

Como a gente vive do ego e das aparências, a disputa vai para um lado muito pessoal, as pessoas não percebem a efemeridade da noite e colocam-na no topo de seus objetivos. Fazem de tudo pra conseguir ter a fama...

Claro, há amigos. Mas de umas 30 drags da cidade, se eu puder confiar em 4 é muito.

 

Mel: E na sua vida, o que mudou? Como seus pais  encaram isso? Todo mundo sabe que você é Drag?

Lorelay: Em casa só meu irmão e minha mãe é que sabem. Vou pra boate normalmente como eu ia antes pra divertir, por isso quase ninguém sabe. Minha mãe, no início ficou meio chocada, mas agora ela mudou muito Mel, me ajuda demais, compra sapatos, maquiagem pra mim, e adora me ajudar nos figurinos.

Quase ninguém sabe, por um simples motivo. Para as pessoas, o mundo gay não existe além do que vêem na TV. Nem sabem o que uma drag.Podem até saber o que é uma boate gay, mas é como ver um mendigo na rua...o povo se nega a ver que aquilo existe.

 

continua no post a seguir*

 

 

 


Escrito por Mel às 13h57 Comentários Envie

Drag Queen

Em meio a tantas guerras por aí, vou lançar um tema um tanto polêmico também, espero não ser apedrejada. (risos)

 

Todo mundo sabe aqui que eu sou amiga dos homossexuais, que entrei de cabeça pelo mundo de vocês e que hoje é meu mundo também. Sinto-me literalmente em casa!

Mas ainda existem muitas coisas que preciso aprender, quebrar tabus antigos, explorar melhor, na verdade. Uma dela vou confessar:

Eu sempre morri de medo de Drag Queens... é sério, não riam!

Não sei o porquê, se pela figura, muitas vezes exagerada na maquiagem, pela distância que existia entre o mundo delas e o meu, me pareciam intocáveis habitantes de outro planeta. Digo isso abertamente aqui, pois nunca fiz isso por maldade ou preconceito... era medo mesmo, que nem de bicho papão. E sei que muita gente mantém certa distância...

 

Outro dia batendo papo com um amigo que há muito tempo não via pela NET, um garoto gracinha de 20 aninhos. Fabrício  é um anjo de pessoa, me pegou de sopetão entre as novidades do dia a dia, faculdade, namoricos, etc.

Contou-me que desde março de 2005 se tornou uma Drag Queen numa boate da sua cidade. Fiquei estupefada! Na minha pequena cabecinha não combinava a imagem  do garoto gay que eu conhecia, com a que agora estava sendo-me apresentada: a Lorelay.

Bom, eu tava diante do bicho papão,  não dava mais para correr, e como  eu sou abusada mesmo, resolvi conhecer tudinho.

Vou transcrever em forma de um bate papo informal, como uma entrevista, e como não há espaço por essa ferramenta, vou colocar em três partes , fiquem atentos. Espero que possa ajudar outras pessoas que por preconceito ou ignorância ainda não tenham tido o prazer de conversar com uma Drag Queen.

 

Mel: Você  pode me dizer, porque resolveu ser  Drag?

Lorelay: eu nem sei dizer por que me tornei uma drag, rs

eu acho que  depois de um tempo que  vc  freqüenta  boates e começa a reparar nelas, e achá-las bonitas, você quer ser assim também... ainda mais quando todos  falam que vc tem um super potencial e talz. Um amigo me informou de um concurso, me inscrevi e fui aprovado. Foi tudo muito rápido.

 

Mel: Então você queria ser uma estrela também, queria o glamour que as outras tinham, certo?

Lorelay: não exatamente só isso, muitas vezes eu considerava algumas delas ruins, e via que eu podia trazer, de alguma forma, algo melhor pras pessoas verem, eu me cansava também de ver shows podres. Com o tempo me tornei tão exigente pra isso que hoje em dia, eu é que me julgo pobre, rs.

Mas eu confesso que queria estar ali, no grupinho seleto e elitista das drags.

 

 continua no post logo a seguir *

 


Escrito por Mel às 13h28 Comentários Envie

22/03/2007

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Escrito por Mel às 14h34 Comentários Envie


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