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Banheiro gay... ter ou não ter?

08/08/2008

Outro dia li uma notícia que dizia que uma escola tailandesa construiu sanitários especialmente para seus alunos homossexuais.

O diretor explicava que o numero de adolescentes homossexuais e/ou travestis é bastante significativo naquela escola, e que estas crianças sentiam-se incomodadas quando usavam o banheiro masculino, sendo motivo de piadas, risadas, etc.

Ele entendeu que resolvendo esses desconforto geral poderia, inclusive, refletir no aproveitamento dos estudos.

Pessoas o questionaram se ele não estaria exagerando nesse tipo de atitude, já que se trata de adolescentes que ainda não têm clareza para decidir sua preferência sexual e isso poderia até interferir nessa escolha.

O diretor respondeu que naquele país pode-se notar facilmente a grande população de travestis existente. Disse ainda que ao longo dos seus 35 anos de experiência em ensino, já havia encontrado inúmeros casos de adolescentes que se diziam gays e que nenhum deles mudou de idéia quando se tornaram adultos.

 

 

É interessante a gente analisar como são diferentes as realidades para as pessoas nos diversos cantos do mundo.

Em um primeiro momento, eu me entusiasmei muito com a notícia e achei sensacional e corajosa a atitude do diretor!

Logicamente vocês já devem ter passado por isso alguma vez, mas eu fiquei pensando aqui com meus botões: até que ponto o “caso” do banheiro é tão importante para vocês?

 

A nossa realidade é tão mais preocupante e triste que a notícia passou a parecer irônica!

 

Será que os nossos meninos de 12-13 anos que estão se descobrindo gays, enfrentam mais problemas dentro de casa com seus pais ou no banheiro da escola?

 

A gente sabe que é desconfortável receber chacotas de colegas, porém as angustias de um jovem que não se aceita os conflitos de sua mente para entender que ele é diferente das outras pessoas (ditas normais) não se resolvem apenas acionando o botão da descarga.

Sinceramente, na minha maneira de ver, criar um local diferenciado para certo grupo de pessoas, é mais uma maneira de descriminá-las.

Sim, a intenção do diretor foi maravilhosa, mas para nossa realidade, não sei se serviria pra muita coisa não...

 

Eu acredito e aposto mais na boa educação, na conscientização das crianças de que seus colegas são pessoas iguaizinhas a eles independentemente da maneira como se vestem ou se portam, portando devendo usar sem problema algum o mesmo sanitário.

O preconceito deve ser podado exatamente nessa fase, na escola quando pequenos, para crescerem convivendo com naturalidade ao lado de amigos gays.

 

Sobretudo amigos, eu creio que o maior incômodo de qualquer jovem (e por que não, de adultos), está no seu conflito interior, e não em fatores externos, mesmos que rotulados de nomes feios como o “preconceito”.

 

 

 

 


Escrito por Mel às 17h04 Comentários Envie

Ironia

18/07/2008

 

 

 

Como ironia do destino no ultimo texto eu falava sobre as vovós queridas, como anjos que estão no mundo para nos cuidar e fazer bolinhos deliciosos.

Pois é, um raio caiu sobre minha cabeça e me fez mudar um pouco de opinião...

Está em casa hospedada a vovozinha do meu marido.

Imaginem uma senhora com 92 anos, lúcida, encrenqueira, trêmula, chata, irritante, briguenta, que cria confusão por onde passa!  Agora piorem um pouco e estarão apenas chegando perto.

Eu que sou uma pessoa calma e tolerante (para terem uma idéia nunca briguei nem com a minha sogra) estou com problemas de hipertensão, pode!

 

Ela diz que meu cachorro é dela (pura esclerose), e portando se vê no direito de bater sem motivos no pobre coitado.

Meu filho menor, que está de férias, já foi apelidado de demônio por não sair da frente da TV e vídeo game.

Quando saio todos os dias para o trabalho ouço a “senhorita” dizendo se eu já vou encontrar meus namorados, e que aquilo não é roupa decente para uma mulher casada usar, é um escândalo (mesmo que eu esteja de calça comprida).

A doçura reclama da comida, dos horários, da cama, do barulho que fazem tarde da noite (20h30minh), do meu perfume, da vizinha, etc., etc.

 

Gente, eu confesso que estava pronta para convidá-la para uma viagem de volta semana passada, quando a infeliz escorregou no banheiro e quebrou o braço!

Agora está bem pior e com o tratamento deverá ficar mais uns 30 dias no mínimo! Eu vou explodir!!!

Sinceramente eu descobri que não tenho o dom de cuidar de velhinhos, muito menos paciência com gente chata e teimosa. Existem pessoas de gênio forte, maneira gentil de dizer “intolerante”, que passam a vida toda sendo assim, e quando a idade chega a coisa piora mais se tornando insuportáveis até para os parentes próximos.

Sempre me disseram que pessoas de idade tornam-se como crianças, agora eu acredito, com a diferença que eu não posso dar uma boa surra!

 

Bem, deixemos de lado o meu stress, pois já deu para perceber o quanto estou calminha, e não quero passar essa negatividade para vocês.

Cuidem-se enquanto são jovens, sejam equilibrados e coerentes consigo mesmos para não acabarem ficando rabugentos assim.

Ah e já avisei meus filhos que eles vão pagar todos os pecados comigo aos noventa! Hahaha.

 

Beijos

 

 

 

 

 

 


Escrito por Mel às 17h30 Comentários Envie

Hortelã e Puejo

04/06/2008

 

 

 

 

 

 

Outro dia vi uma cena linda que me fez lembrar coisas muito especiais e gostosas.

Estava parada no trânsito, esperando uma fila enorme de carros passarem num semáforo quando eu ia para o serviço.

Nesses infindáveis momentos ou a gente fica nervosa e começa já o dia estressada ou arranja algo para distrair-se, o que geralmente faço. Ouço musica, observo a paisagem ao redor, vejo as pessoas apressadas andando na calçada e viajo com minha imaginação.

Vocês já repararam como a gente pode até fazer amigos no trânsito, de tantas horas que passamos nele?

Eu mesma cumprimento um senhorzinho todo santo dia que fica em frente sua casa varrendo a calçada. Não sei o nome dele, nem ele o meu, mas isso não importa.

 

Num desses dias, o sol já estava brilhando e o calor incomodava antes das oito da manhã. Eu observava uma senhora de seus 60 anos sentada numa cadeira na calçada sob a sombra de uma árvore, com uma criança no colo dando mamadeira.

A criança tinha uns dois aninhos, balançava as perninhas contente da vida no colo da senhora e mamava distraidamente, brincando com a ponta do seu avental. Imaginei ser um dos milhões de casos de avós que cuidam dos netinhos enquanto os filhos (as) vão para o trabalho.

 

Naqueles instantes olhando aquela cena, lembranças da minha infância vieram à tona, que delícia!

Minha avó levava minha mamadeira de leite com Nescau na cama logo cedinho.

Era ela quem me dava banho, me trocava e levava para escola. Lembro-me ainda das tardes que ela fazia chá quentinho e bolinhos de chuva, (que eu adoro até hoje), enquanto me contava estórias.  Parece que sinto ainda o cheiro da comida que ela preparava. Eu ficava observando tudo em cima de uma cadeira ao lado dela dizendo que queria aprender a cozinhar. Dito e feito acho que as lições valeram à pena, pois todos dizem que cozinho muito bem!

 

Fui criada por aquela mulher de cabelos brancos desde um ano de idade, quando perdi meu pai, até a sua partida, aos meus 18 anos.

Minha mãe trabalhava e não tinha um décimo da paciência de minha avó, e por isso somente ela é quem tinha o mérito de fazer essa menina sempre meio doentinha, comer alguma coisa.

 

Hoje eu fico pensando, como as avós podem ser criaturas tão doces, tão carinhosas e pacientes, se muitas vezes com seus filhos não eram assim?

 

Quando éramos crianças quase sempre achávamos mais fácil “enganar” a avó do que a mãe, afinal com sensatez ela sempre fazia nossos gostos!  Quem disse que uma avó consegue dar uma surra em um neto?

 

Já na adolescência a gente pensava que elas eram umas tolas, que não entendiam no nosso moderno, pois eram antiquadas e todos os conselhos seriam inúteis.

 

-“tome cuidado pra atravessar a avenida, olhe dos dois lados

-“leva o guarda-chuva e ponha um agasalho porque o tempo vai mudar” em plena manhã de sol, soavam como uma piada de mau gosto e a gente nem dava a mínima... depois quando a profecia se concretizava era gripe na certa.

E advinha quem que curava a gripe com chá de hortelã e puejo?

 

Bem, eu poderia relatar aqui infindáveis e deliciosos casos como esses que fariam brotar em nossa cabeça uma saudade enorme daqueles bons tempos! Tempo e pular na cama e fazer guerrinha de travesseiros, tempo de comer pipoca à tarde vendo TV, de correr no quintal estragando as flores que ela plantava, de comer doce de leite com o dedo na tigela, de brincar na água da bacia enquanto a roupa estava sendo lavada... coisas simples que marcam a vida da gente.

 

Somente depois de adultos é que percebemos o quanto esses seres dotados de magia são realmente especias e sábios.

É nessa fase que nos inspiramos nas lições que eles nos passaram, e muitas vezes já é tarde demais.

 

E a vida se renova, se repete...e eu percebo a sabedoria , a  visão dos avós dos meus filhos, que enxergam de longe coisas que a mim passariam despercebidas!

 

 

Onde foi mesmo que esquecemos e nos distanciamos desses velhos amigos?

 

 

 


Escrito por Mel às 15h06 Comentários Envie

Amigos, enfim.

20/05/2008

     

 

 

 

Será fanatismo? Coisa de mulher bobona... pode ser!

O fato é que quando eu cismo com uma pessoa, positivamente claro, é difícil me enganar.

Existia algo no olhar dele que me chamava atenção, aquelas coisas que eu diria que vem de vidas passadas talvez, ou quem sabe , estou pirando! 

Sei lá isso não importa, o que eu sentia era vontade de conhecer o rapaz, dar um super abraço e pronto.

No fundo eu sabia de onde vinha aquela grata simpatia, e isso bastava para transbordar o meu carinho.

 

Bem, sem mais rodeios ficou marcado para sábado a grande visita, e eu nervosa aprontei tudo nos mínimos detalhes.

Fiz sobremesas deliciosas que já sabia de antemão eram as suas prediletas e servi um chá da tarde, com pães, biscoitos e frios. Enfeitei tudo com flores, coloquei uma toalha de renda branca e escolhi minha melhor louça de porcelana.

Modéstia a parte, estava lindo!  Digno do meu amigo.

 

Estou tentando extravasar um pouco e mostrar para vocês toda a emoção que senti por receber uma pessoa querida, simplesmente querida, que sequer conhecia além do seu perfil no orkut.

 

Ele é um amor de pessoa, lindo, simpático, gentil, educado, culto, divertido, amável e tantos outros predicados mais eu poderia citar se quisesse ser puxa saco, mas é a pura verdade. Conversamos a tarde toda descontraídamente e nem vi o tempo passar, foi uma delícia conhecer esta pessoa de mente aberta e constatar o que eu já previa.

Eu desejei fazer uma homenagem à ele e ao mesmo tempo mostrar meu pequeno trabalho aqui nesse cantinho do meu mundo, mas.... vieram-me à tona as mesmas barreiras que imagino todos vocês esbarram.

O que ele vai pensar?

Uma homenagem num site gay? (se bem que o olhar dele não me enganou nem um pouco)

O que eu estaria fazendo aqui? Tenho o direito de expor a sexualidade do meu filho desta maneira?

Confesso que travei frente aos preconceitos ou confusões que poderiam surgir, ou quem sabe não...

Assim como vocês, também senti o peso da falta de naturalidade em lidar com a homossexualidade.

Sim eu sinto vontade à vezes de contar para algumas pessoas sobre meu filho, outras prefiro que ignorem.

No meu caso , além do fato de correr riscos de ouvir besteiras por conta do puro preconceito, não me sinto no direito de invadir ou interferir nas decisões do meu filho, trata-se de algo que não é meu!

É triste isso, querer jogar aberto e não poder... é triste saber que para vocês deve ser pior ainda essa sensação.

 

Em todo caso, como eu não gosto de passar vontade (quando quero uma coisa ninguém me segura), resolvi escrever e homenagear este e tantos outros queridos anônimos, pseudônimos e heterônimos que pela vida encontrei.

Não importam os nomes e sim que sinto um amor imenso por aqueles que chamo de AMIGOS e que faço questão absoluta de tê-los sempre bem perto de mim!

 

 

Beijos aos montes.

 

 

 

 

 

 

 

PS: Em especial para você!

 

 

 


Escrito por Mel às 14h27 Comentários Envie

O tempo não para

22/04/2008

 

Depois de um tempo afastada, antes de escrever passei pelos blogs dos amigos para me atualizar um pouco.

Fiquei surpresa ao ler no blog do Tiago que ele está trabalhando e por conta disso seu tempo ficou escasso.

Era exatamente isso que eu queria iniciar falando, nesse retorno!

Inúmeras vezes eu me desculpei aqui pelo fato de deixar de escrever para vocês por períodos grandes demais para o meu gosto. Fico angustiada, achando que vocês podem pensar que não dou a mínima importância para esse trabalho, ou ainda que este blog seja apenas um passatempo, uma diversão. Não mesmo!

Embora não haja cobrança da parte do pessoal do Mix, eu mesma me sinto mal quando esse “vazio” passa de uma semana.

Pode parecer babaquice, mas tenho esse blog como objeto de militância, como veículo para ajudar, apoiar, discutir, trocar idéias e aprender com vocês, pois é a única ferramenta que possuo.

Mas, como diria nosso amigo cazuza, o tempo não para!

Eu não me lembro se já comentei aqui alguma coisa sobre o que faço no dia a dia, então vamos lá.

Meu relógio desperta às 5:45, acordo meu filho, preparo seu café da manhã, lanches para a faculdade, pois ele passa o dia todo fora. Meu marido leva-o até o ponto de ônibus às 6:00, enquanto eu preparo e levo o outro pequeno para a escola por volta das 6:30. Quando volto me preparo para ir trabalhar, chego sempre entre 7:30 e 8:00. Tenho uma empresa pequena, na qual eu cuido de tudo na parte administrativa e meu marido na parte industrial.

Empresário pequeno no Brasil é aquele que tem mil e uma utilidades... compra , vende, fatura, cobra , cuida dos funcionários, atende clientes, chuta, cobra escanteio e defende no gol. Almoço correndo aqui mesmo, em mais ou menos quinze minutos e volto a trabalhar até as 18:00hs

À noite, faço minha segunda faculdade, quando sobra tempo , academia ou yoga. Nesta semana o Gabi está fazendo um curso que termina tarde, então ainda vou buscá-lo na Facul. Nos finais de semana sou a faxineira lá de casa, faço compras de supermercado para a semana, adoro cozinhar e receber amigos dos filhos, tem alguns que até já tem cadeira cativa.

Como vocês percebem, sou uma pessoa comum, como a maioria das mulheres que trabalha, estuda , cuida da família e da casa, ou seja, não tem tempo pra nada!

É durante o dia no trabalho, que eu invento um tempo para escrever aqui,  participo de mais um site gls a convite da Nina Lopes e de um grupo no yahoo, este ultimo para outros fins. Nem tenho entrado no MSN para não receber puxões de orelha.

Depois de todo esse blá blá blá, espero que me perdoem quando dou minhas sumidinhas,  tenham certeza que morro de saudades de todos vocês.

Quanto ao restante, na ultima vez contei que a maratona ( leia-se vestibular) do meu filho, acabou num final feliz, com  a toda correria que tem direito alguém que já chega um mês atrasado nas aulas de um curso integral.

Ele fica lindo de jaleco branco, podem acreditar que não é coisa de mãe coruja.

Ah, como comentei acima a Nina me convidou para escrever uma coluna em seu site www.balaiodegata.com.br

Quando quiserem, dêem uma passadinha na “coluna da mel” e deixem um comentário. (por sinal estou em falta com ela também, que vergonha)

Mas não tem problema, eu tropeço mas não desisto!

 

 

 

 

Beijos da Mel.

 


Escrito por Mel às 17h36 Comentários Envie

FINAL FELIZ!

14/03/2008

Eu contei a vocês sobre a nossa espera pelo resultado do vestibular do meu filho em um post anterior.

Aguardamos a segunda chamada e nada de aparecer o nome dele, esperamos o dia de assinar o interesse pelas vagas remanescentes e lá fomos nós. Chegando à USP, ele confirmou que seria o segundo na próxima lista de espera.

Um  friozinho na barriga tomou conta novamente e resolvemos ir até a Faculdade de Medicina para ver se alguma alma caridosa nos informava quantas vagas abririam ainda , por desistência de alguém.

Pois bem, uma senhorita muito simpática nos disse que havia somente mais uma vaga.... Que legal! Uma vaga e ele era o segundo... seria muito azar!

Não tínhamos nada a fazer, senão rezar para que esse candidato, no caso sabíamos que ele já estava em Ribeirão, ficasse feliz e satisfeito onde estava, que realmente Deus o iluminasse se este fosse seu caminho.

Uma super dose de otimismo tinha que entrar em nossas cabeças, ou então eu ia desmoronar.

Ontem, às 15h30min  saiu  a lista de 3ª chamada.

Corri o mouse primeiro a procura do nome do outro candidato , aquele que estava na frente, e não o encontrei.... Eu estava com a vista já embaçada e tremendo, resolvi fechar a página e abrir de novo para ter certeza que estava vendo a lista certa.  Daí desci até a letra G e vi o nominho mais lindo do mundo lá, sozinho, exclusivo, inteirinho para enfim, festejarmos!  ELE  PASSOUUU !!!!!!!!

Meu marido e eu chorávamos como duas crianças e ligamos imediatamente para casa. Não deu para falar muito, entre soluços e gritos....ele deixou o telefone e se jogou no chão, e pulou, e chorou ....e estamos todos sonhando acordados até agora!

Deixei tudo aqui no escritório e corri para casa para abraçá-lo muito , toda a família já estava reunida , resultando em poucos minutos numa bagunça enorme, com direito a cara pintada , cabelo cortado e muita champagne!

É indescritível a felicidade que se sente, o alívio de toda a tensão passada, os dias infindos de estudo, noites ma dormidas, provas , tudo valeu muito a pena , até esta espera pela terceira chamada.

Ele, nesses dois últimos meses amadureceu muito, aprendeu lições valiosíssimas, que fizeram esse desfecho ter um sabor muito mais especial !

Eu agradeço a todos que torceram por ele, a todos os que perderam seus minutos preciosos em frente de listas de faculdades , aflitos procurando pelo seu nome. Valeu muito essa torcida!

Agradeço aos amigos mais chegados por toda as palavras de força e ânimo em todos os momentos!

Agradeço principalmente a Deus, por nos abençoar com essa imensa alegria, e acredito piamente que o Gabriel será um profissional exemplar, honesto e digno de carregar essa missão.

Queridos, hoje eu não tenho muitas palavras para me prolongar, mas a boa notícia é deixada aqui com um sorriso até as orelhas, um olhar brilhante misto de alegria e lágrimas, e uma vontade louca de abraçar  todos vocês!

 

Enfim, final feliz!

 

Beijos da Mel

 

 

 

 

 

 


Escrito por Mel às 11h57 Comentários Envie

Discursos babacas

05/03/2008

 

 

Quem usa ônibus ou metrô, sabe a festa que acontece todos os dias. É gente vendendo balinhas, canetas, bugigangas, pedindo ajuda para comprar o leite das crianças, enfim tudo aquilo que já conhecemos.

Há também o pessoal que entra para “gritar” um trecho da bíblia, espantar meia dúzia de demônios e depois sair.

Antigamente o máximo que eu via era um ou outro integrante do Hare Krishna, com seus mantos longos vendendo incensos... aliás, eles sumiram.

No centro de São Bernardo, o ataque já começa fora do ônibus, com um bando de ciganas (nada contra, se fossem verdadeiras) querendo ler a sua mão, e se duvidar não te sobra nem o dinheiro da passagem no bolso.

Mas ontem um caso interessante instigou-me, ou melhor, irritou-me o suficiente a ponto de fazer questão de comentar aqui.

Um cidadão de meia idade, vestido de terno, entrou no ônibus distribuindo panfletos e começou um discurso político de fazer babar!

Identificou-se como Dr. Manoel Tranquilino de Oliveira, advogado do povo, e até agora não entendi direito se sua pretensão é para o cargo de vereador ou deputado, já que ele misturou tudo. No xérox está escrito que ele é “candidato a candidato a Presidente em 2010”.

Isso mesmo, não foi erro meu não!

Dentre as muitas qualidades citadas, deixando todos confiantes em seu sugestivo slogan- “Fique tranqüilo, vote Tranquilino para tranqüilidade da população”, ele mencionou também ser missionário, teólogo e evangélico.

Já dá pra imaginar o que vem depois?

Claro, a sua bandeira será proibir definitivamente qualquer manifestação gay, incluindo nisso até os namoros! Ele pregou publicamente que é um absurdo a população aceitar os namoros entre homossexuais, que dirá então o casamento. Eles, os gays, são a causa de tudo que há de ruim em nosso país. Precisa-se resgatar o respeito nas famílias... e ele lutará para banir essa sem-vergonhice do planeta!

Em seguida ao discurso homofóbico, distribuiu o folheto acima, para todos do coletivo, um deles era meu filho.

Infelizmente eu não estava lá para cuspir na cara dele, pois se ele pode falar m* em público eu também posso fazer qualquer coisa, não? 

Já imaginaram se alguém entra num ônibus e fala assim, de algum outro tipo de preconceito, por exemplo, de negros? Não, isso ninguém é besta de fazer!

Se um pobre coitado como esses, cujo tamanho despreparo é gritante, pode nos atingir com tanta facilidade, imaginem o que aconteceria caso um político de verdade, resolvesse prejudicar os homossexuais...

Não, isso não seria possível, pois o Brasil é um país sério, cheio de gente de boas intenções, e além de tudo não existe ditadura aqui, não é mesmo???? (rsrs)

Não estou aqui querendo revolucionar nada, nem sugerindo que cada um deveria sair brigando pelas ruas contra a homofobia.

Eu sou adepta ao trabalho de base, de formiguinha, aquele corpo a corpo, que começa bem ao seu lado, no seu grupo, no seu trabalho, na sua casa.

Quantos daqui não tem o respeito devido nem dentro da sua própria família?

Conquistem as pessoas mostrando o seu valor, sua dignidade e integridade, que independem absolutamente da sua escolha de parceiro (a) sexual.

Enfim, eu me sinto até uma tola batendo sempre nessa mesma tecla, e eu nem deveria ficar tão irritada com um “ser” desse  tipo, logo hoje quando o assunto em evidencia é a votação sobre o uso das céluas tronco!

Tomara que decidam pelo bem da Vida...

de todos!

 

 

 

 

 


Escrito por Mel às 13h35 Comentários Envie

14/02/2008

 

 

AgONiA

 

 

 

Passaram-se os dias e eu aqui me descabelando pelas listas de aprovados nos vestibulares. Pois é, não deu... É tão frustrante passar o dedo sobre uma lista de nomes e não achar aquele que você procura...

Depois que saiu a classificação foi o mais emocionante, pois eu vi que ele estava numa boa colocação e comecei a pesquisar sobre a classificação dos outros alunos. Ele tinha a princípio 17 pessoas na sua frente, um pouco desanimador, porém fui checando um a um e anotando ao lado do nome suas respectivas classificações. Comecei a ver que alguns estavam já chamados na lista da USP Ribeirão Preto e assim foi caindo esta diferença de alunos a serem chamados na próxima lista. Caiu para 16º -15º-14º... chegou ao 10º e

 meu coração disparou, continuei.

Achei o nome que lhe daria o 9º  lugar da lista de espera, o 8º- 7º -6º-5º-4º, a cada um eu ligava para ele e, em casa era uma gritaria só, comemorando.

Minhas mãos já estavam tremendo em cima do teclado e aqueles nomes pareciam cada vez mais complicados. Sim, eu achei o 3º e o 2º.... isso significava que ele era o primeiro da lista de espera da USP!

Uau, como eu gritei e pulei e comemorei e corri para casa para festejar com ele! No abraço cheguei até a quebrar meus óculos. Definitivamente ele estava dentro, com certeza seria chamado na primeira lista, e assim passamos o útimo final de semana com um sorriso que não cabia no rosto, contamos pra todo mundo, só faltava mesmo chegar dia 22 para estourar a champagne.

 Mas.... no domingo ele resolveu tirar uma dúvida e olhou as listas do ano passado, e chegamos a triste conclusão que estávamos errados, pois estas pessoas, embora já classificadas , se for segunda opção podem migrar para uma lista de espera. Bem, é meio complicado esse processo de vestibular, confesso que deveria existir uma faculdade para saber como se classifica um vestibulando, porém o fato é que agora nem sei mais em que lugar ele está, de 1 a 17 na bendita lista de espera.

Isso para qualquer carreira é um ótimo resultado, mas para Medicina a coisa é diferente. Eu já estou fazendo hora extra de tanto rezar, agora conto com a ajuda das orações de vocês também.

O mais impressionante foi a força e a clareza com que ele recebeu cada resultado negativo. Se alguém imagina que ele se abateu ou ficou choramingando, enganou-se. Estava ciente de que deu tudo de si, que fez o melhor que podia e chegou numa ótima classificação, se não conseguiu estar entre os classificados, paciência.

No dia seguinte ele estava pronto a começar estudar de novo com força total. Já se matriculou no cursinho e começa vida nova segunda-feira.

Bola pra frente, se passar na segunda, terceira, ou quarta chamada será magnífico, caso contrário, já está pronto pra enfrentar a luta de novo.

Quando eu digo que tenho muito a aprender com ele, alguns se espantam....

 

Obrigada meu querido!

 

 


Escrito por Mel às 12h17 Comentários Envie

25/01/2008

Namoros, namoros...

 

 

 

 

 

Antes de mais nada, como muita gente sabe, meu filhão prestou vestibular para medicina, e sei que muitos amigos estão torcendo ansiosos pelo resultado. Quero avisar que as listas serão divulgadas dia 7 de fevereiro, e daí sim eu vou colocar aqui em letras garrafais, se Deus quiser, a aprovação dele pra gente comemorar juntos.

Até lá conto com a torcida de vocês! 

Humm... vamos fazer uma coisa? Eu prometo que se ele passar, coloco uma foto do meu gato pra vocês aqui. Ele está com 18 anos, moreno lindo e inteligente.

 

 

Pensando nessa fase que já podemos dizer adulta, comecei a refletir no quanto eu vou ter que me lapidar para dominar os ciúmes que tenho. Nós mães entendemos que todo filho (a) precisa se casar, encontrar o seu amor e seguir a sua vida, mas lá no fundo a gente sente como se estivesse sendo traída, trocada por outra pessoa que mal acabou de chegar. Isso é instinto claro, não podemos deixar que isso interfira na vida dos filhos, mas que dá uma dorzinha no coração, dá. Nesse ponto, eu digo que os homossexuais levam uma pequena vantagem, pois é mais fácil para eu aceitar um genro do que uma nora, sério. Já pensou uma “mulherzinha” querendo mudar minhas coisas de lugar? Aff... nem pensar! Prefiro mil vezes um garotão que vai ficar assistindo filmes jogado no sofá com meu filho enquanto eu preparo pipoca e biscoitinhos para eles. Com certeza eu vou ser aquela sogra super puxa-saco, que faz os pratos prediletos, compra presentinhos, ajuda nos trabalhos da facul, e por aí vai. Isso é o mínimo, pois faço para os amigos que dirá para alguém que ele amará...

 Algumas vezes em conversa ele já me falou que não gostaria de namorar como a maioria, ficar em baladas, ou somente fora de casa. Ele prefere muito mais um namoro caseiro, daqueles de assistir um bom filme abraçadinho num sábado à noite depois de comer uma pizza. É uma escolha bem atípica pela sua idade, mas ele é todo diferente.... e para mim, não deixa de ser ótimo!

Bem, eu sei que eu estou enrolando nesse texto, falando de namoro e tal, parece até que estou “gaguejando” nas palavras.... mas eu tenho que me desabafar com vocês.

Outro dia ouvi sem querer – e foi sem querer mesmo- parte de uma conversa dele com um amigo . Eu não vou transcrever aqui as palavras exatas, por que sei que talvez este amigo seja até leitor desse blog, e eu vou ficar muiiiiito encabulada depois.  Ele fazia uma belíssima declaração de amor, meio platônica até para o meu gosto, e meu filho, polidamente desconversava. Sei que ele o tem como amigo e nada mais que isso, mas foi nesse momento que senti um frio danado na barriga, imaginando o dia que eu o ver abraçando e beijando um cara. Confesso que me senti totalmente despreparada, com tudo que o apoio, que admito sua sexualidade , etc., etc. Foi a coisa mais estranha, senti raiva do outro como se fosse um lobo mal querendo pegar o meu bebê.

Eu não quero ser do tipo que admite tudo muito legal ,quando é na casa do vizinho! Quero poder enxergar meu filho com a mesma tranqüilidade e naturalidade que vejo outros casais gays ,e sei que o que me incomoda não é ser o parceiro homem, mas sim o ciúmes e o apego que sinto.

Se para mim que já me julgo uma “quase militante” está sendo difícil, fico imaginando então como é a situação das mães que além de tudo, não aceitam os parceiros serem do mesmo sexo...

Querendo ou não, vocês concordam que elas sentem-se agredidas? Entendem um pouco porque elas lhes devolvem esse sentimento com rispidez?

Respondendo o que suas cabecinhas devem estar pensando....não, a culpa não é de vocês. É do amor que elas sentem.

 

Beijos

 


Escrito por Mel às 17h23 Comentários Envie

10/01/2008

 

Saúde!!!!

 

 

 

Começando o ano com toda garra do mundo, eu pretendo alcançar um monte de coisas prometidas cá dentro da minha cachola. Vou ter muito trabalho, mas isso é o de menos, o importante é atingir meus objetivos.

Um deles é lançar aqui nesse blog uma pequena discussão, ou debate entre os leitores, para que os temas sejam mais interessantes. Eu gostaria que vocês mesmos, dessem sugestões sobre os assuntos que mais lhe interessam.

Um detalhe importante que ainda não falei aqui é sobre saúde sexual. Sim, todo mundo saber que tem que usar camisinha, mas....será que usam? Quantos de vocês já fizeram um exame de sangue para pesquisar HIV, sífilis, hepatite, etc.? E as meninas, vão ao ginecologista periodicamente? Já pesquisaram sobre HPV? É um vírus relativamente fácil de curar, mas altamente contagioso e se não curado pode provocar câncer de útero.

A gente sabe que no meio gay a troca de parceiros é bastante acentuada, não adianta querer esconder isso. Portanto, todo cuidado é pouco ,não só na proteção sexual propriamente dita, como na alimentação, na higiene corporal, no tratamento bucal, etc. Se vocês querem levar uma vida muito mais ativa, o santo não é de ferro, não acham?

Vocês saem para as baladas, comem pouco ou nada antes, bebem todas, fumam , gastam energia, não dormem, alguns usam drogas (não é uma crítica, cada um faz o que quer da sua vida), depois transam com o maracanã inteiro. Poxa, e a sua saúde , onde fica?

 

 

 

Não custa nada comer alguma coisa mais saudável , além do Big Mac, beber sucos de frutas, fazer um pouco de exercícios para desintoxicar as tranqueiras que vocês botaram pra dentro do corpo no final de semana, né?

 

Eu sei que eu estou parecendo mãe chata, que pega no pé e manda levar guarda chuva ao sair de casa, mas ...eu vou perguntar: como vai a sua boca?

Nem me fale que você não vai ao dentista a mais de dois anos, pois não tem coisa pior do que beijar alguém com os dentes meia-boca (trocadilho barato esse), ou com mau hálito aff.

Sem contar que sua boca mal tratada sempre tem pequenas fissuras, sangramentos, e falando abertamente, como é que você pretende usá-la a contento com o bonitão do seu namorado (a)?

Bem, temos que pensar na saúde psíquica também. Relaxe de vez em quando, tire as férias que você precisa e merece. Ninguém é de ferro.

Nós estamos no inicio do ano, e quero vocês por perto o ano inteiro, firmes e fortes!

Vamos cuidar de nós mesmos e dar um jeito de sobrar energia para dar uma mãozinha ainda para o amigo ali do lado, ok?

 

Mil beijos.

 

 

Espero vocês com comentários, eu adoro lê-los!

 


Escrito por Mel às 18h00 Comentários Envie

Mensagem especial, para pessoas especiais

26/12/2007

 

 

Eu olhava o céu nessa segunda-feira e o brilho da lua estava radiante, muito forte mesmo.

Aproveitei dessa minha velha amiga para mandar minhas mensagens de carinho para tanta gente que a coitada no dia seguinte até se escondeu de mim!

Estas festas de fim de ano deixam-me sentimentalista à beça, com vontade de relembrar coisas, abraçar as pessoas queridas e inevitavelmente, para uma manteiga derretida como eu, chorar que nem boba.

Ao mesmo tempo em que eu curto lembranças, fico alvoroçada com preparativos dos mínimos detalhes para festa do fim de ano, que há muito tempo é comemorada em casa.

Nesse clima de “cheiro de Natal”  fiz um balanço da quantidade de amigos que fiz nessa santa terra virtual. Sei que muita gente não acredita nesse tipo de amizade, mas o que me importa?

Pode parecer muito louco, mas eu AMO essas pessoas, é sério. São para mim uma família diferente, escolhida por mim e não por um acaso. Nessa casa, o Mixbrasil, tenho saboreado momentos que nunca imaginei, com amigos de todos os cantos. Eu não quero ser injusta, pois amodoro todos vocês, os amigos queridos que visitam, comentando ou não, os amigos blogueiros, o pessoal do site, André Fischer, meu anjo Erik Galdino, todos... todos eu gostaria de dar um baita abraço e deixar cair um pinguinho d’água que vai crescendo no canto do olho.

Mas tem duas pessoas que me tocam no fundo do coração, por sua magia, sua simplicidade, sua coragem em fazer da Vida um brinquedo de faz de conta e dar a volta por cima nas mais adversas situações.

Um deles, todo mundo já sabe que é o Tiago, meu padrinho, meu exemplo de Vida, minha inspiração nos momentos difíceis. Esse moço é muito bonito, por dentro e por fora, tanto... tanto que me sinto pequena para falar qualquer coisa a respeito, e nem me venham dizer que sou puxa saco, isso eu não sou! Falo com a voz do que sinto realmente e não saberia explicar com outras palavras, acho que o melhor termo que encontrei para definir, é que sou uma Tiaguete roxa, e pronto!

O outro querido especial chegou depois e entrou de sopetão, bem ao seu estilo! Como eu sei que é seu estilo? Sexto sentido de mulher não falha!

Ele entrou e se alojou no outro cantinho do meu coração num piscar de olhos, e desde a primeira palavra que trocamos, em meio de uma baita confusão de informações, ficou lá com uma carinha de menino travesso que me faz rir todo dia. Fabrício Viana, você é minha criança predileta!

Sim você é leve, é solto, alegre, sincero, inteligente... sacana dos pés à cabeça, maroto, mimado, dengoso, meiguinho, dá vontade de beliscar...

Apaixonei-me por você à primeira vista, o que posso fazer? kkkkkk

Logo na primeira vez que nos falamos, você me disse que eu era louca (risos), vai ver que sou mesmo, e faço questão de continuar sendo assim. Na minha “loucura”, estes dois nomes que citei são minhas estrelas , que moram pertinho da Lua que vi brilhando no céu. São estrelas que me guiam, que me trazem mais e mais amigos, e que me fazem sentir prazer de estar aqui escrevendo isso agora.

Não importa muito se o seus textos não forem do meu agrado, ou se a minha opinião for diferente....eu sinto a presença gostosa de vocês , em cada palavra o brilho dos seus olhos.

Eu quero sinceramente aumentar a cada dia minha constelação de queridos, só citei dois deles ,dentre uma montanha de nomes .

Não quero fazer desse blog simplesmente um outdoor de textos sem sentido, ou quando muito de sentido único. Quero torná-lo interação de pessoas , sentir pelas palavras, ouvir pela emoção, crescer junto, aprender...

Já adianto que nesse ano, vou precisar muito da ajuda de todos, pois pretendo quebrar um ultimo e importante lacre para a “minha saída do armário”. Sim, nós mães temos etapas para assimilar a homossexualidade do filho (a) e confesso que tenho ainda algo a fazer.

Desejo que em 2008 a gente consiga ao menos metade do que se planeja, e coloque todo o esforço em mudar o que se julga errado.

Que 2008 traga amores, amigos, trabalho , saúde e dignidade a todos!

Um abraço forte (desse tamanho) para todos vocês, um beijo estalado e um tapa no bumbum dos meus dois anjos, Ti e Fa.

 


Escrito por Mel às 13h19 Comentários Envie

Diálogo em casa

07/12/2007

 

 

 

 

Às vezes eu me sinto um peixinho fora d’água aqui sabiam? Não entendo muito das gírias dos gays, não freqüento as baladas, não participo efetivamente do mundo de vocês.

Porém , conheço um pouco dos problemas que todo jovem tem, tenho dois filhos e também já fui jovem um dia...

Vejo que a base da dificuldade de falar para os pais sobre sua homossexualidade, não está tão somente no teor do “assunto”, mas no grande abismo que foi criado pela falta de diálogo, compreensão, afeto, etc.

Poucos são os adolescentes que conversam em casa sobre tudo que se passa em suas vidas. Daí vem aquela velha história, que os pais são caretas, sempre discordam de tudo e não entendem o seu ponto de vista. Têm toda razão! A maioria é assim mesmo.

Essa divergência sempre existiu e sempre vai existir, a menos que alguém resolva ser menos teimoso.

De novo volto a bater naquela tecla do “faça a sua parte”, tente ceder e mudar sua estratégia de ação com os "velhos"! Normalmente os jovens tem mais capacidade de se adaptar à situações, então arregacem as mangas e comecem a mudar, tente estreitar a relação, conversando mais com seus pais...

No início vocês terão que ter muita paciência com eles, terão que falar de assunto que os interesse, mesmo que vocês não conheçam muito bem esse terreno. Pergunte ao seu pai como vão as coisas no trabalho, interesse-se por saber do mundo da sua mãe, das suas ansiedades, das suas perspectivas para o próximo ano, o que eles desejariam fazer e nunca fizeram, etc.

Assista a um filme junto com eles e procure trocar idéias sobre, depois. Discutam sobre as despesas da família juntos, integre-se nessa coisa que vocês chamam de lar.

Depois fale também das suas experiências, seja da escola ou do trabalho, compartilhe suas vitórias, suas preocupações, vocês verão como o ambiente em casa vai melhorar muito. Todos nós precisamos de carinho e atenção, e seus pais se incluem nisso!

Sim, pode ser que seus pais sejam daquele tipo que acha que adolescente não entende de nada, e só eles terão razão. Nesse  caso, paciência, o mundo não é perfeito. Mas pelo menos você tentou!

Não precisa também concordar com todas as opiniões só para ser agradável, isso seria falsidade. Você deve sim discordar quando for o caso, mas seja inteligente, não discorde sendo apenas teimoso, mostre com fatos porque você acha que está certo em seu ponto de vista. Seja um bom vendedor nas suas idéias, eu tenho certeza que terão muito mais habilidade do que seus pais para isso.

Tudo isso eu estou citando, apenas para criar um melhor relacionamento entre vocês e não para sua saída do armário, este é um outro passo, mais importante e para depois.

 

Tenham um bom começo! Boa sorte.


Escrito por Mel às 17h05 Comentários Envie

Faça a sua parte.

12/11/2007

 

Quando você começou a perceber que sentia um friozinho na barriga por pessoas do mesmo sexo, eu garanto que ficou em dúvida se aquilo era normal ou não. Via o comportamento dos amigos diferente do seu e queria saber se aquilo estava certo, se você tinha algum tipo de doença, ou se estava pirando. Com o passar do tempo, você procurou saber de alguma maneira se existiam mais seres no planeta iguais a você, e claro que encontrou o título para colocar em sua “plaquinha de identificação” de homossexual. Pois bem, daí você já sabia o que era, porém a maioria das pessoas ao seu redor era diferente, eram identificadas como heterossexuais. Pronto, só isso basta pra criar um monte de minhocas na cabeça.... você é diferente da maioria das pessoas, o que causa uma baita insegurança e desconforto, pois você, sendo diferente vai ficar em evidência! Depois você ainda descobre que os que têm a ‘plaquinha’ de homossexuais, não só são diferentes, como são mal vistos, dizem que são uma aberração da natureza, todo mundo faz piadinhas, são ridicularizados, expulsos de casa pelos pais, vivem num mundo promíscuo e cheio de doenças, ninguém é fiel, não arranjam emprego nem tem amor. E ainda dizem que você OPTOU por isso!

Nessa situação é claro que ninguém é besta de sair gritando pro mundo que você é um deles. Você se sente como alguém que vai confessar um crime e obviamente vai ser linchado, então se esconde, se fecha e curte sua dor de saber que está nessa vida só para sofrer, e jamais vai abrir o bico pra ninguém, pelo menos vai tentar fingir que está tudo bem e continuar vivendo como puder.

O tempo passa, e você logicamente tem sentimentos, conhece alguém que começa gostar tanto física como emocionalmente, e a luta interna reaparece, te corroendo entre o desejo e a razão. Você sabe o que quer, mas tem medo da rejeição dos outros, até da sua.

Começa a imaginar então como seria a reação de seu pai e sua mãe, seus familiares mais próximos. Claro que seria ótimo contar com o apoio e compreensão deles, afinal eles sempre te orientaram como fazer todas as coisas, desde como comer ou fazer pipi sozinho! Com certeza eles teriam uma forma mágica e te ensinariam como enfrentar essa situação, além do que te dariam carinho, pois você está desgastado pelo sofrimento que vem remoendo ha. anos.  Nessa altura do campeonato, você já leu um bocado de informações e sabe que não é doença, já se instruiu sobre várias coisas e corrigiu alguns conceitos errados que fez de si mesmo, só falta criar coragem e contar em casa.

Para alguns amigos você já contou e achou até fácil falar, não teve muitos problemas com a maioria, os que não aceitaram você descartou por que percebeu que não eram amigos de verdade.

Putz, mas como é duro enfrentar os pais! Ainda mais que você já ouviu comentários aqui e ali que eles tem preconceitos daquilo que você é. Vai ser uma decepção para seu pai, um hétero medonho, e sua mãe então, vai ter um enfarto, não vai mais sair de casa com vergonha das vizinhas. Quando eles assistem alguma coisa na TV sobre gays, falam que é uma vergonha, coisa de cara safado, falta de surra quando era criança, que a mãe deixava o menino brincar de bonecas e agora olha só no que deu!

Quando sabem de algum caso na família de alguém, logo dão a desculpa: também pudera filho de pais separados, não teve uma boa educação e nem referências masculinas em casa, acabou aprendendo a ser mulherzinha...

Daí você começa a sair escondido, pode até ter um namoradinho, mas sempre com aquele maldito medo de ser visto por alguém ou seus pais descobrirem. Como seria bom poder agir naturalmente como os outros!

De todos os meios você recebe bombardeios de preconceito, os religiosos então nem se fale. Você não será aceito por nenhuma igreja, dizem que Deus não criou criaturas assim, você é que escolheu sentir algo errado, vergonhoso, fora das leis da Bíblia.

Façamos uma reflexão juntos: Você se sente um ser de outro planeta, apaixona-se por alguém que jamais lhe dará a menor chance, porque é do mesmo sexo, a sociedade te exclui até dos direitos humanos mais básicos, sua Igreja te condena, seus amigos afastam-se de você, seus pais, que por tese deveriam te amar, te abandonam... o que você vai fazer da sua vida?

Cara, você aparentemente ta ferrado mesmo! E.... eu também!!!

 

Por quê? Porque eu também sou parte dessa sociedade que colocou esse monte de porcaria na sua cabeça, e cabe a mim agora, tentar desfazer essa c..gada.

 

Eu ouvi uma “lição” nesse final de semana, cantada por um coral de 200 vozes de crianças de 7 a 9 anos (um deles meu filhinho) onde dizia algo assim:

 

 

Faça parte, faça a sua parte...

Não é colocando a mão no bolso, é colocando a mão na massa que se consegue

Sempre pode ter alguém pertinho precisando de você

Então vem, Faça a sua parte...

 

 

De alguma maneira faço parte da sua vida, ainda que sejam alguns minutos quando você passa por aqui para ler. Quero te ajudar encontrar respostas e caminhos para fazer sua vida valer a pena, e um deles, o maior em minha opinião, é o amor! Comece colocando essa palavrinha em sua cabeça e em suas atitudes. Tenha calma e paciência, você demorou nove meses para nascer e até agora não se conhece direito!

 

Eu posso dizer com certa experiência que a VIDA é feita de momentos que você cria, mesmo que inconscientemente, e se hoje ela lhe parece não muito boa, com toda certeza você pode mudar.

Depende de você....faça a sua parte! Ame-se acima de tudo!

 

 

Um beijo a todos.

 

 

 

 

 


Escrito por Mel às 15h56 Comentários Envie

O outro lado do armário.

07/11/2007

 

 

Aproveitando o fato do lançamento da 2ª edição do livro “O Armário” do nosso querido “Fabrício Viana”, eu refletia um pouco sobre esse tal de armário. Hoje em dia eles estão mais frágeis, nem são de madeira, qualquer empurrãozinho já abrem as portas, e o mais difícil é mantê-las fechadas! 

Ainda não li o livro (estou esperando ganhar um de presente autografado, ehehhe) mas imagino que o assunto já tenha sido brilhantemente explorado , haja vista o sucesso da primeira edição.

O meu real propósito de estar aqui nesse site, é exatamente de dar a visão de quem está do outro lado do armário, nem dentro nem fora., apenas do outro lado. Eu sinto que posso ajudar um pouco mais, pessoas que ainda não conseguiram passar essa barreira importante que é falar sobre sua homossexualidade dentro da família.

A questão , sair ou não do anonimato, ou do armário como preferir, é uma opção de cada um, no momento de suas vidas que achar mais oportuno, que estiver preparado para isso. Tenho visto muita gente que optou definitivamente por não se expor no trabalho, entre amigos, e alegam que preferem ter seus amores escondidos a enfrentar a barra do preconceito.O mais importante é você respeitar  seu ritmo e saber identificar o que quer para a sua vida! Não existe tempo marcado para isso, e só você pode determinar quando será a hora certa.

 

Como mãe de homossexual  posso dizer que não é nada fácil também estar do lado de cá dessa história, é perfeitamente normal esperar que a maioria dos pais reajam de maneira estranha, pois ao longo dos anos foi criada uma muralha de preconceitos entre os mundos hétero e homossexuais. Existe também toda uma gama de expectativas que colocamos sim, nas costas dos filhos e que nessa hora, percebemos não serão realizadas.

Não se esqueçam de que vocês despencam sobre nós, emoções há muito tempo entulhadas , elas chegam muitas vezes carregadas de falta de entendimento e aceitação até de si mesmos! Imaginem para quem está tomando contato com o assunto pela primeira vez, e mais....envolvendo quem nos é mais importante: um filho (a).

Paciência, calma, e buscar conhecimento são as palavra certas.

Diversas reações podem acontecer, porém não aceitem nenhuma forma de violência, isso seria desrespeitar o ser humano.

 

Existem os que negam para si mesmos; oh não... isso não é verdade, meu filho(a) esta enganado, sim ele foi influenciado por más amizades...só pode ser.

Existem os que se fecham, apagam da memória aquele dia fatídico, e continuam a vida normalmente, riscam do calendário aquela data.... decretam feriado emocional!

Existem os que reagem de maneira agressiva, sentindo-se feridos, acham que não merecem aquele “castigo” e devolvem a sua dor na mesma proporção, expulsando seus filhos de casa. (como se pudessem expulsá-los de suas vidas).

Existem os egoístas, que dizem: -faça o que quiser da sua vida, não me envolvendo nela, para que eu não passe vergonha....

Sim existem os que recebem com amor, abraçam emocionados, embora assustados e boquiabertos.

Existem também os exagerados, se dizem modernos e acham um auê, afinal está na moda ser gay ..."Meu filho logo logo, consegue um papel na novela das oito".

Ah... também tem os que aceitam, acham que a ciência já explica tudo isso, é muito normal...é ridículo nos dias de hoje ter preconceito....mas, filhão...não dá bandeira perto dos meus amigos do futebol, tá?

Ou ainda: eu aceito desde que você não seja afeminado. Você pode ser gay, eu até entendo seu gosto, mas se eu te pegar com as roupas da sua mãe, eu te mato.

 

Bem, cada um sabe a mãe e o pai que tem guardado em casa!

Este casalzinho de Pit Bull (não querendo ofender a classe canina) que vocês tem em casa, late , late, faz cara feia, assusta... mas por pior que sejam ....ELES TE AMAM.

 

Como mãe eu peço aos pais que se informem, através de leituras, filmes, de sites na Internet , pergunte ao seu próprio filho (a) sobre tudo que deseja saber. Conheça esse novo universo e principalmente faça uma reflexão: O que realmente incomoda nessa descoberta? Que sentimentos vêm à tona? Recordem todos os momentos desde que aquela criança nasceu, seus anos de escola, adolescência, enfim descubram realmente quem é seu filho. Enumere suas qualidades e seus defeitos. Se não o conhece direito, não culpe a intransigência do adolescente, você é que não criou vínculos com ele desde a infância. Sejam sinceros, se antes vocês amavam aquela criatura, o que mudou agora que sabe que ele gosta de alguém do mesmo sexo? Onde está o  seu amor? Que amor é esse?

O que está incomodando mais? Os vizinhos vão saber? São os parentes? São os seus sonhos que foram por água abaixo? Analise friamente quem é você perante essa situação, e não apenas quem é o outro, e saiba que você gostando ou não, o outro tem desejos próprios, que você pode ajudar, aconselhar, mas não pode modificar o rumo daquela vida.

Cuide para que aquele filho ou filha queira estar sempre perto de você e de pessoas que o respeitem, o estimem e o ajudem evoluir. Já basta o resto do mundo para privá-lo de carinho!

 

 

Beijos.

 

 

 

 

 




 

 

 


Escrito por Mel às 14h30 Comentários Envie

Receitinhas

16/10/2007

Senti saudades de vocês e pensei em colocar aqui alguma coisa diferente.

A essa hora da tarde, eu aqui no trabalho, morrendo de fome, só podia pensar em guloseimas!

Aqui vai uma receitinha bem fácil que qualquer um pode fazer, especialmente aqueles que moram sozinhos.

 

Pão de Queijo

 

1 pacote(500g) polvilho azedo

1 copo (200ml) leite

1 copo (200ml) óleo

3 ovos

1 pacote(100g) queiro ralado

1 pit sal

Bater tudo no liquidificador, e colocar em forminhas untadas com oleo para assar no forno. Não encher as forminhas até a boca , pois os pãezinhos crescem bastante. Fica uma delícia!

 

Quem fizer, depois me conte os resultados.

 

Ah, quem quiser pedir alguma dica de culinária, estou à disposição, ok?

 

Beijos

 

 


Escrito por Mel às 17h00 Comentários Envie


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